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PostHeaderIcon - O HOMEM NOVO

A idéia do protótipo do “homem novo”, criou recentemente muitas discussões, não com muito bons resultados. O homem normal é propenso a ressentir-se por esta “denominação”, já que sente como se fosse privilégio de uns poucos ascender às alturas para dominar os demais, por algum poder limitador da dignidade ou liberdade humana.

É como se o Homem Novo fosse a glorificação de um raro e solitário super-ego, que superou os outros nas qualidades humanas.

 

Não obstante este significado do Homem Novo, não é mais que uma paródia intolerante e mesquinha. O evangelho desta verdadeira humanidade apresenta-nos como o ideal magnânimo, misericordioso e nobre para toda a raça humana em vias de desenvolvimento. O Homem Novo é o fruto do movimento do homem pelo movimento da evolução da Natureza para o Superior, e que quase já se adivinha. E quando isso se imagina e se compreende, é a Idéia que chega a ser a semente mais potente que deve ser semeada na terra, para um novo crescimento.

AUTO-RECONHECIMENTO

O Homem Novo pode auto- reconhecer-se por um mandato (algo que sabe) essencialmente interno; é como uma lei secreta de sua Unidade que conhece a lei de outro ser e a do ser do mundo.

Sente uma NECESSIDADE que o atravessa, obriga-o a realizar suas grandes possibilidades próprias, por um mandato divino que chega a sua superfície mental mas em essência é um impulso interno de sua alma que busca exteriorizar-se no indivíduo.

Temos então dois princípios na Vida: a necessidade ou a vontade do ego separado de sobreviver em sua distinção e conservar sua identidade, e a compulsão imposta pela Natureza de fundir-se com os demais

Mas Deus é muito complexo e a tentação do intelecto humano é buscar o caminho mais curto e fácil até a Natureza Superior. Pelo que generalmente optamos por dedicar-nos compulsivamente a algum trabalho relacionado com a ajuda ou o amor que satisfaça temporalmente nossos impulsos. Ou melhor, buscamos nossa salvação individual, escapando ao céu em um ato de supremo egoísmo, deixando os demais abandonados na terra. Se os mais preparados pretenderam escapar-se desta maneira liberando-se a eles mesmos, que seria dos menos preparados, abandonados a sua sorte nesta terra. O homem novo sente a necessidade de permanecer nesta terra até que a última alma humana seja liberada do julgo da escravidão.

“No entanto, esta não pode ser a última etapa; essa só pode alcançar-se quando se harmonizem os dois princípios, quando o indivíduo possa persistir na consciência de sua individualidade e contudo fundir-se com os demais sem alteração do preservador equilíbrio nem interrupção da sobrevivência.”

 

O DESCOBRIMENTO DO AMOR

O que pode ser mais divino que o amor? Mas a adoração e a devoção são impotentes por si só para resolver as discórdias do mundo. “

A associação do amor como seu princípio secreto e seu emergente cume é o modelo, o poder desta nova relação e, portanto, o principio governante do desenvolvimento no terceiro estado da vida. A preservação consciente da individualidade junto com a conscientemente aceitada necessidade e desejo de intercâmbio, auto-entrega e fusão com outros indivíduos, e é necessária para o funcionamento do princípio do amor; pois se fica abolida, a atividade do amor cessa, qualquer que seja o lugar que tome”

Jesus, O CRISTO, o Avatar adorado do Amor, é um exemplo Divino, sua memória é luminosa e imperecível. Mas seguirá sendo ineficaz para nós e para la vida até que não o baixemos da Cruz e harmonizemos a adoração e devoção com o resto das qualidades Divinas que são necessárias para nosso desenvolvimento até o homem novo.

Deus não só é Amor; outro dos nomes de Deus é Conhecimento. Quando no Templo que adoramos ou na ONG que trabalhamos fechamos as portas ao Poder do Conhecimento (erro que cometemos continuamente), esterilizamos nossas raízes secretas e secamos o poço de nossa vida interior, convertemos a Unidade em um zero inexistente e encontraremos no final que nosso lótus do coração está embotado, morto ou murcho, descobrimos que alcançamos a morte e não a grande existência.

E tudo isto ocorre porque temos reconhecido a complexidade do enigma que devemos resolver aqui.

Geramos contradições e oposições entre as palavras AMOR, PODER, CONHECIMENTO, etc., e todos estes nomes são Deus. O enigma se resolve harmonizando os contrários, vendo a real UNIDADE nos opostos. O Amor por si só não pode resolver as discórdias do mundo, nem pode impulsionar sua natureza para sua transmutação.

 

 

“Os indivíduos e os agregados (grupos de indivíduos), que desenvolvem primordialmente a lei de associação e a lei de amor, de ajuda comum, bondade, afeto, camaradagem, unidade, que harmonizam mais exitosamente a sobrevivência e mútua auto-entrega, o grupo que incrementa o individuo e vice-versa, e o indivíduo que incrementa ao indivíduo e ao grupo que faz o mesmo com outro grupo, mediante intercâmbio mútuo, serão os mais aptos para a sobrevivência neste estado terciário da evolução.”

 



  
O SEGREDO É A UNIDADE

Deus é o UNO que tudo abarca; não existe nada que não seja ELE, e através de nós busca a SImesmo, evolui desde nossa ignorância até esse homem novo que já emerge.

Uma UNIDADE complexa que abrace e entenda tudo o que nos rodeia é o segredo que temos que descobrir e fazê-lo consciente para poder determinar nossas ações e saber que é o que temos que fazer para que nossos esforços não se percam em sonhos frustrados por nossa relação com os demais.

QUANDO NOSSO CORAÇÃO CHEIO DE AMOR SE ACALMA, PELO CONHECIMENTO EM NOSSA MENTE; O CORAÇÃO VAI SE ILUMINANDO E PURIFICANDO EM SUAS PAIXÕES E IMPULSOS EGOÍSTICOS.

Quando o cérebro luminoso do Conhecimento aceite e transforme as inspirações obscuras do coração e se preste o mesmo a dominar suas idéias de “ego separado” submetendo-se a uma Vontade Superior que busca realizar a Unidade aqui na terra; o Homem Novo compreenderá que sua alma sacrificada lhe impulsionará à NECESSIDADE de experimentar essa Unidade com um grupo de pessoas afins, aceitando todos os choques que surgirão desta relação, como a oportunidade que lhe brinda a Vontade Superior, para transmutá-los pelo Poder contido em um Amor, que unido ao Conhecimento, lhe outorgará o Poder de escalar o cume da Unidade pelo passo estreito e provisório do grupo e a criação progressiva da alma grupal, na unidade gnóstica.

 

O Homem Novo não será um ser diferenciado da integral UNIDADE. O Homem Novo consciente da integral unidade, sentirá os outros como algo maior que ele mesmo, integrando-se neles e integrando a eles nele, abarcando a vida de grupo como algo maior que sua própria vida, submetendo-se ao grupo e o grupo submetendo-se a ele, em uma relação mútua de crescimento do grupo e crescimento do indivíduo. Ao final da senda o novo grupo, a nova comunidade gnóstica haverá materializado uma nova realidade do Espírito, a Alma grupal (célula transitiva para a Unidade do UNO). Indivíduos libres, conscientes da Unidade nos muitos e individuais no acionar do espírito, construtores de uma nova terra, materializadores de um céu de terra.

 

“O amor, mesmo no principio obedece à lei da fome e desfruta o receber e retirar dos demais, melhor que o dar-se e render-se aos demais, que admite principalmente como preço necessário para obter a coisa que deseja. Mas aqui não chegou ainda a sua verdadeira natureza; sua verdadeira lei é estabelecer um comércio igual no que o fato de dar-se iguale ao fato de receber e tenda, ao fim, a converter-se em algo ainda maior; mas isso ocorre quando se lança mais além de si, sobre a pressão da chama física para alcançar a realização da completa unidade e, portanto, há de realizar àqueles que lhe parecerão, como separados, aquele que lhe pareceu (não-eu) como um ser (eu) maior e mais querido que sua própria individualidade. Em sua origem-vital, a lei do amor é o impulso de realizar-se e alcançara si mesmo nos demais e pelos demais, de enriquecer-se enriquecendo, de possuir e ser possuído pois sem ser possui não se possui a si mesmo por completo.
A incapacidade inerte da existência atômica de possuir-se, a sujeição do indivíduo material ao não-eu, pertence ao primeiro estado da vida. A consciência da limitação e a luta por possuir, por dominar o ser (eu) e ao dos demais (não-eu), é o modelo do estado secundário. Aqui também o desenvolvimento até o terceiro estado traz uma transformação dos términos originais dentro de um alcance e uma harmonia que repete os términos enquanto aparentemente os contradiz. Advêm, através da associação e do amor um reconhecimento dos demais (não-eu) como ser (eu) maior e, portanto, uma submissão conscientemente aceita a sua lei e necessidade que realiza o crescente impulso da vida de grupo a absorver o individuo; e há uma possessão novamente, por parte do individuo, da vida dos demais como a sua própria e de tudo o que há de dar-lhe como propriamente seu, que realiza o impulso oposto da possessão individual. Esta relação de reciprocidade entre o indivíduo e o mundo em que vive não pode expressar-se, completar-se nem assegurar-se a menos que se estabeleça a mesma relação entre indivíduo individuo e entre grupo e grupo. Todo o difícil esforço do homem em prol da harmonização da auto-afirmação e da liberdade, pela que se possua a si mesmo, com a associação e amor, fraternidade, camaradagem, nas que se entrega aos demais, --(seus ideais de harmonioso equilíbrio, justiça, reciprocidade, igualdade para criar um equilíbrio dos dois opostos)--, são em realidade uma tentativa inevitável. Pré-determinado em suas linhas para resolver o problema original da Natureza, o problema da Vida mesma, mediante a resolução do conflito entre os dois opostos que se apresentam nos fundamentos mesmos da Vida na Matéria. A resolução é tentada pelo princípio superior da Mente que só pode encontrar o caminho para a harmonia buscada, ainda que a harmonia mesma só possa encontrar-se em um Poder todavia mais além de nós.”

 

Sri Aurobindo legou-nos em seu livro póstumo: “a manifestação supramental sobre a terra”, as imensas possibilidades para qualquer grupo de seres humanos que aspirem unidos em seu empenho a uma forma de vida coletiva perfeita e individual, ou que aspirem à vida divina, serão assistidos desde o Alto na consecução de sua aspiração e essa seria, pelo menos, a consequência mínima da ação da Supramente

“As notas em itálico pertencem ao capítulo 21 da Vida Divina. Bibliografia para ampliar: Os últimos 5 capítulos da Vida Divina”


SOBRE A PRÁTICA



A evolução é a contínua materialização do espírito no corpo, vida e mente humanos, transformando-os e elevando-os ao mesmo tempo para cumes mais altos, sutilizando a mente, o vital e o corpo físico (os planos materializados de nossa natureza), servindo ao objetivo da Natureza evolutiva de alcançar o Superior, com o fim próximo de materializar uma consciência nova, o“Homem Novo”que representará a promessa do espírito de alcançar uma manifestação todavia mais elevada. Para aquele que tem a necessidade e a aspiração, a pergunta que se faz poderia ser: como se realiza isto? O que tenho que fazer?

Toda experiência espiritual, deve ser realizada aqui, para que possa servir à humanidade. Aquele que busca experiências para si mesmo, para ascender até as alturas celestiais, se esquece dos demais, busca unir-se a Deus deixando para atrás todos os demais; é o maior ato de egoísmo. Pois o plano divino consiste em que a terra se divinize e se converta em um Céu na terra, não devemos buscar o céu (ao céu não lhe fazemos nenhuma falta), senão materializá-lo aqui mesmo. É o Espírito mediante sua pressão desde cima, quem responde descendo pela chamada da aspiração desde baixo. É o Espírito que se materializa progressivamente na matéria humana, modificando-a e sutilizando-a, devemos ser conscientes deste processo em nosso despertar ao conhecimento.


Portanto, se eu quero materializar o Amor, de pouco me serve imaginar e sentir que quero a todo o mundo, ir de vez enquando a um curso “espiritual” e sair satisfeito pelo bom que se é e o bem que me sinta. De nada me serve sentir-me virtuoso, por minhas boas ações e pensar que isto é suficiente. Isto não são mais que auto-enganos do coração que a mente consente, sem conseguir nada estável e transformado em nós.


Materializar em si mesmo o Amor, não é trabalho simples, necessita de um grande esforço de abertura aos demais, formando um grupo onde se aprende a viver esta experiência intensa de atritos e choques entre indivíduos, idéias, atitudes, formas de ser……… com os outros (não eu) até que a intensa experiência de sofrer o que nos molesta dos demais nos vá abrindo a um conhecimento que se nos desvela como fruto ou graça de nossa aspiração inquebrantável a suportar a experiência, esta aceitação desembocara em uma consciência de Unidade cada vez mais abarcante e compreensível dos outros como se fossem (eu) mesmo, iluminando nossa mente e Enamorando o nosso coração.

Este mundo material é de experiência, a experiência do Amor deve viver-se para materializar-se em nós e poder sentir sua capacidade transformadora.

Como se pratica e se materializa o Amor? Como indica Sri Aurobindo, o caminho para o ser individual está aberto, nós sugerimos o caminho grupal, por sua assistência desde o superior e por sua capacidade de acelerar a evolução; não negamos outros caminhos que o infinito promova para a conquista de seus fins.

- Em primeiro lugar isto nos obriga a buscar e unir-nos em um grupo de pessoas dispostas a viver e compartilhar esta experiência intensa.

- Em segundo lugar debem saber que vão atravessar tormentas, porque as pessoas que se reúnem para trabalhar conjuntamente, carregam nossa aspiração, mas também carregam todas nossas imperfeições, e é muito provável que as forças de separação que atuarão sobre o ego de nossas imperfeições terminem rompendo o grupo.

- Para suportar esta primeira fase de rechaço, devem aguentar sem abandonar o grupo. Aquele que não aguenta não consegue materializar o Amor. Aquele que aguenta esta primeira fase de intenso rechaço entre as individualidades do grupo, aportando compreensão, doçura, harmonia e equanimidade; terá possibilidades de avançar.

- Não devem ocupar-se nem preocupar-se pelas pessoas que abandonam, já que a Providência Divina está com elas, sabendo em cada momento o que necessitam.

- Não devem criar regras, nem organização, nem liderança alguma. Deixem que o Espírito realize seu trabalho entre todos, que a hierarquia e a organização Divina, saberá criar os obstáculos e as soluções para que experiência de grupo, com o passar do tempo vá revelando a consciência de que o processo é e será assistido desde cima.

- No principio não se juntem frequentemente, seria insuportável, devem juntar-se no máximo 1 ou 2 vezes por semana, e pouco a pouco colocarem-se a prova com convivências curtas de um fim de semana por exemplo. Serem sinceros e expressarem as emoções, não acumulem tensões no interior sem expô-las aos demais.

- Com o tempo, os que aguentem, experimentarão a necessidade interior de quererem verem-se e juntarem-se cada vez mais. Esse momento indica o começo da criação de uma alma grupal.

 

- Mais adiante começarão a aspirar a uma convivência mais estreita, nesse momento sem darem-se conta, o Amor subconscientemente haverá começado a instalar-se em seus corações. Ocorrerá-lhes que seguirão molestando cosas nos outros que nãogostem, mas algo dentro de vocês começará a olhá-lo de outra maneira; e as tensões interiores e os desejos de separação durarão menos tempo.

- No futuro, serão conscientes de que suas mente já não são a mesma, o esforço aceitado de haver vivido a experiência e aguentado as forças da separação, os levará a uma consciência mental mais elevada, capaz de compreender e logo ser consciente do alcance do fenômeno em marcha, um conhecimento muito mais vasto e abarcante haverá se instalado em seus cérebro, os ego individuais haverão se sutilizado, seus corações irão se acalmando e o Amor terá possibilidade de materializar-se em vocês, já não poderão entender a vida sem o grupo, observarão que algo maior que a si mesmo este se materializando e aponta a um cume todavia mais alto.

- Outras fases intermediárias surgirão nesta formação grupal que não é relevante explicá-las, senão que as experimentem por vocês mesmos. O importante é o haver chegado até aqui porque já haveria uma certa garantia de êxito na consolidação da formação grupal.

- Ao final os que permaneceram no grupo descobrirão que não Ama aquele que quer, senão aquele que Pode; porque necessita-se o Poder para Amar e este Poder obtêm- se quando o Conhecimento e o Amor se unem.

 

- Na fase de consolidação do grupo, serão conscientes que a única forma de vencer as forças de separação que sentirem, quando algo dos demais irmãos não lhes agrada, não entendem ou não compartilhem, esse será o conhecimento, de que eles são como você, uma parte do infinito e como infinito são livres e únicos; e este conhecimento dará a vocês o Poder da aceitação pelo Amor e sentirão que o Eu grupal é MAIOR que seu próprio (eu) individual, porque o Poder do Amor negará a entrada à força de separação e a Alma grupal se manifestará em vós sentindo-os UNO, a convivência e o trabalho comum os levará à ação Divina sobre o mundo ao rededor de vocês. Não se detém aqui o processo ascendente, suas próxima meta, apontam a cumes mais altos.

Poderia ser que seu destino os levem a materializar ao ser espiritual, convertendo-os no que Sri Aurobindo denomina um grupo gnóstico de conhecimento e irradiarem um magnetismo transformador ao mundo que os rodeia, transformando-os e transformando-o para Vida Divina sobre a Terra. Mantenedores de sua individualidade e unidos na Totalidade, verdadeiros anarquistas espirituais.

Esta é a grande aventura da Consciência que pressiona sobre a Humanidade de hoje; deste esforço evolutivo nascerá o “Homem Novo”.



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Bibliografia: os cinco últimos capítulos de “A Vida Divina” de Sri Aurobindo.